segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dom Casmurro, de Machado de Assis - trecho/ questões objetivas/ gabarito

DOM CASMURRO

Capítulo CXXIII – Olhos de ressaca

 Machado de Assis

     Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou algumas instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
     As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora como se quisesse tragar também o nadador da manhã.

01. O trecho acima nos revela que a despedida de Sancha do marido foi
a) contida, mas cheia de ternura.
b) dramática e comovente.
c) tranqüila e rápida.
d) inquietante e estranha.

02. Qual dos trechos apresenta uma impressão do narrador ao relatar os fatos?
a) “Sancha quis despedir-se do marido,”
b) “Muitos homens choravam também, as mulheres todas.”
c) “Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la;”
d) “Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma.”

03. “Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida.”, o termo em destaque dá ideia de
a) modo         b) intensidade         c) tempo         d) causa

04. O narrador conta que parou de chorar
a) quando viu Capitu chorando.
b) porque Capitu o observou durante o velório.
c) assim que todos começaram a chorar.
d) para não chamar atenção dos presentes.

05. De acordo com o narrador, Capitu
a) estava inconsolável.
b) disfarçava seu sofrimento.
c) estava indiferente.
d) consolava a todos.

06. “Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva”, o termo em destaque foi utilizado para expressar
a) um questionamento
b) uma comparação
c) uma oposição
d) uma causa

07. O título do capítulo justifica-se
a) pela forma como Capitu olhava para o defunto.
b) pelo abatimento apresentado no semblante da viúva.
c) pelo olhar que o narrador mantinha sobre Capitu.
d) pelo fato do defunto ser um nadador.

Gabarito: 01. b 02. d 03. c 04. a 05.b 06. b 07. a

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Transforma-se o amador na coisa amada, Luís Vaz de Camões - poema/ questões objetivas/ gabarito

Soneto
                       Luís Vaz de Camões

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
 
Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.
 
Mas esta linda e pura semidéia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assim co’a alma minha se conforma,
 
está no pensamento como idéia:
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.


01. Segundo os versos do poema de Camões
a) o eu lírico critica a pessoa amada.
b) o eu lírico declara-se a pessoa amada.
c) o eu lírico reflete sobre o seu sentimento amoroso.
d) o eu lírico lamenta por não ser correspondido amorosamente.

02. É responsável pela transformação do amador na cousa amada
a) o desejo
b) o descanso
c) o muito imaginar
d) o puro amor

03. Apresenta uma justificativa o verso
a) “Se nela está minha alma transformada”
b) “Mas esta linda e pura semidéia”
c) “está no pensamento como idéia”
d) “pois em mim tenho a parte desejada”

04. “Se nela está minha alma transformada”, o termo em destaque refere-se a
a) cousa amada
b) semidéia
c) alma
d) forma


Gabarito:  01. c 02. c 03. d 04. a

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO, de Augusto dos Anjos - poema, questões objetivas, gabarito

Psicologia de um vencido
                     Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

01. O poema tem como temática
a) a influência dos signos do zodíaco sobre a vida humana.
b) os medos enfrentados pelos homens durante a infância.
c) a angústia diante da decomposição fatal do corpo humano.
d) as doenças que levam o homem à morte.

02. Apresenta uma comparação os versos
a) “Sofro, desde a epigênese da infância
      A influência dos signos do zodíaco”
b) “Profundissimamente hipocondríaco,
      Este ambiente me causa repugnância...”
c) “E há de deixar-me apenas os cabelos,
      Na frialdade inorgânica da terra”
d) “Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ansia
      Que escapa da boca de um cardíaco.”

03. São palavras que fazem parte do vocabulário científico
a) guerra e terra
b) zodíaco e ânsia
c) inorgânica e epigênese
d) signos e operário.

04. Segundo os versos do poema, o eu lírico
a) é uma pessoa cardíaca.
b) declarou guerra a vida.
c) sente-se um verme.
d) considera-se um sofredor.

05. “Monstro de escuridão e rutilância”, o verso apresenta
a) uma antítese       b) um eufemismo     c) uma hipérbole      d) uma metonímia

06. O verme representa para o eu lírico
a) uma doença       b) um predador       c) um aliado    d) uma solução

Gabarito: 01. c 02. d 03. c 04. d 05. a 06. b



sábado, 17 de setembro de 2011

A frouxidão no amor é uma ofensa, de Bocage - poema/ questões objetivas/gabarito

A frouxidão no amor é uma ofensa
                                                 Bocage
A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão, fervor e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.
Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.
Tu só tens gratidão, só tens brandura,
E antes que um coração pouco amoroso,
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.
Talvez me enfadaria aspecto iroso,
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-me cativo e não me faz ditoso.

01. Para o eu lírico, o amor
a) em demasia ofende o ser amado.
b) é um sentimento supremo.
c) tem algumas recompensas.
d) deve ser uma entrega total.

02. No verso “Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!”, o eu lírico expressa
a) uma comparação    b) uma suposição      c) uma dúvida       d) uma ironia

03. Segundo os versos do poema, as atitudes da mulher amada
a) surpreendem o eu lírico.
b) desagradam o eu lírico. 
c) enlouquecem o eu lírico.
d) encantam o eu lírico.

04. O eu lírico apresenta-se no poema como uma pessoa
a) racional       b) passional           c) ingrato       d) violento

05. De acordo com o poema
a) o eu lírico sente-se preso e infeliz.
b) o eu lírico sente-se plenamente amado.
c) o eu lírico considera a pessoa amada dura e ingrata.
d) o eu lírico vive bem com a pessoa amada apesar das diferenças.

Gabarito: 01. d 02 .a 03. b 04. b 05. a

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SONETO, de Luís de Camões - poema/ questões objetivas/ gabarito

Soneto
                                  Luís de Camões

Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que me mata e não se vê;

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei por quê.

01. Segundo os versos do poema, o eu lírico
a) está à procura do Amor.
b) está amando e cheio de esperanças.
c) está seguro devido ao Amor.
d) está sem esperança.

02. Ao se dirigir ao Amor, na primeira estrofe, percebe-se por parte do eu lírico um tom de
a) súplica         b) desafio          c) ameaça        d) euforia

03. Por que o eu lírico não teme as novas artes do Amor?
a) Porque o eu lírico não possui mais esse sentimento.
b) Porque onde falta esperança não há desgosto.
c) Porque a esperança que ele tem o faz sentir mais seguro.
d) Porque ele não teme nada, nem os perigos de um mar bravo.

04. Apresenta uma contradição a justaposição dos termos da expressão
a) novo engenho   b) bravo mar     c) perigosas seguranças    d) novas artes

05. “Busque Amor novas artes, novo engenho”, o termo em destaque tem o sentido de
a) artimanha         b) trabalho                 c) objetivo            d) solução

06. De acordo com o eu lírico do texto, o Amor gera
a) segurança          b) esperança            c) sofrimento          d) dúvidas

07. “Amor um mal, que me mata e não se vê;” o verso sugere que o Amor é
a) indefinido          b) misterioso          c) passageiro            d) intransigente

08. A última estrofe revela que
a) o eu lírico realmente é imune as artes do Amor.
b) o eu lírico busca descobrir as razões do Amor.
c)  o Amor ainda consegue atingir o eu lírico.
d) o Amor abandona o destemido eu lírico.

Gabarito: 01. d 02. b 03. b 04. c 05. a 06. c 07. b 08. c

terça-feira, 13 de setembro de 2011

SONETO LXII, de Cláudio Manuel da Costa - poema/ questões objetivas/ gabarito

SONETO LXII
Cláudio Manuel da Costa

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros;
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte rico, e fino.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia,
Que da cidade o lisonjeiro encanto;

Aqui descanse a louca fantasia;
E o que te agora se tornava em pranto,
Se converta em afetos de alegria.

01. O poema apresenta como temática
a) o encanto que a vida na cidade produz.
b) a vida sofrida e cansativa no meio rural.
c) a superioridade do ambiente rural em relação ao urbano.
d) a superioridade do ambiente urbano em relação ao rural.

02. O interlocutor do eu lírico é
a) os montes       b) Corino         c) Almendro      d) os vaqueiros

03. “Torno a ver-vos, ó montes; o destino/Aqui me torna a pôr nestes oiteiros;” os versos destacados revelam
a) saudade       b) regresso         c) arrependimento      d) decepção

04. De acordo com os versos do poema, o eu lírico
a) lamenta sua saída da Corte.
b) expressa desprezo pela choupana.
c) planeja retornar a Corte.
d) valoriza a vida simples e natural.

05. Segundo o texto, a vida na Corte para o eu lírico
a) tem mais valia.
b) gerava infelicidade.
c) tinha mais afeto.
d) era cheia de alegria.

Gabarito: 01. c 02. a 03. b 04. d 05. b

domingo, 11 de setembro de 2011

Minha desgraça, de Álvares de Azevedo - poema/ questões objetivas/gabarito

MINHA DESGRAÇA
Álvares de Azevedo

Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...

Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.

01. O eu lírico considera-se desgraçado
a) por ser um poeta sem reconhecimento.
b) por não ser correspondido amorosamente.
c) por ser explorado pela mulher amada.
d) por não ter recurso para comprar uma vela.

02. A desventura do poeta é de ordem
a) familiar      b) financeira           c) sentimental        d) física

03. Foi utilizada uma metáfora no verso
a) “Ter duro como pedra o travesseiro...”
b) “Minha desgraça, não, não é ser poeta,”
c) “Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido”
d) “Não é andar de cotovelos rotos”

04. “Nem na terra de amor não ter um eco”, de acordo com o verso, pode-se concluir que o eu lírico
a) ama e não é correspondido.
b) desconhece o amor.
c) está à procura de um amor.
d) viveu muitos amores.

05. Segundo os versos do poema
a) o eu lírico, por ser poeta, é tratado como um boneco.
b) o eu lírico sofre por não ter inspiração para escrever um poema.
c) o eu lírico aceita resignado o fato de não ter um vintém.
d) o eu lírico lamenta sua condição de total penúria.

06. “Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...” o verso expressa que
a) o dinheiro aquece a vida de todos.
b) o dinheiro governa a vida de todos.
c) o dinheiro ilumina a vida de todos.
d) o dinheiro suja a vida de todos.

07. “Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido”, a reticência foi utilizada para
a) indicar continuação de uma ação ou fato.
b) indicar suspensão ou interrupção do pensamento.
c) representar, na escrita, hesitações comuns na língua falada.
d) realçar uma palavra ou expressão.

Gabarito: 01. d 02. b 03. c 04. a 05. d 06. b 07. c