segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Lembrança de morrer, Álvares de Azevedo - Poema/ Questões Objetivas/ Gabarito

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Poucos - bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoidecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!
Autor: (Álvares de Azevedo)

Exercícios
01. A vontade do poeta é a de que após sua morte
a) derramem-se muitas lágrimas.
a) todos fiquem tristes.
c) não se cale a alegria.
d) enfeitem-no com flores.

02. A partir da leitura das primeiras estrofes do poema, conclui-se que a morte para o poeta significa
a) sacrifício              b) desespero          c) castigo                d) libertação

03. O sentimento que os poucos amigos e os pais do poeta despertam nele no momento da morte é de
a) pena                    b) saudade             c) revolta               d) gratidão

04. Na sétima estrofe, percebe-se que o poeta  teve uma relação amorosa
a) sensual                   b) platônica          c) conflituosa           d) tranquila

05. O poeta deseja que ao ter o seu leito solitário na floresta, ele obtenha da natureza
a) proteção                b) companherismo           c) compaixão          d) amizade

06. Álvares de Azevedo é considerado um poeta ultrarromântico. De acordo com o que o texto apresenta, qual característica não faz parte das poesias ultrarromânticas?
a) a visão da morte como refúgio ideal.
b) o sentimentalismo.
c) temas sociais e políticos.
d) a idealização da mulher amada.

GABARITO: 1.c 2. d 3. b 4. b 5. a 6. c

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