sábado, 27 de agosto de 2011

SEGREDOS, de Casimiro de Abreu - poema/ questões objetivas/ gabarito

SEGREDOS
Casimiro de Abreu

Eu tenho uns amores – quem é que os não tinha
Nos tempos antigos? – Amar não faz mal;
As almas que sentem paixão como a minha
Que digam, que falem em regra geral.
      - A flor dos meus sonhos é moça bonita
      Qual flor entr’aberta do dia ao raiar,
      Mas onde ela mora, que casa ela habita,
      Não quero, não posso, não devo contar!

Seu rosto é formoso, seu talhe elegante,
Seus lábios de rosa, a fala é de mel,
As tranças compridas, qual livre bacante,
O pé de criança, cintura de anel;
      - Os olhos rasgados são cor de safiras,
      Serenos e puros, azuis como o mar;
      Se falam sinceros, se pregam mentiras,
      Não quero, não posso, não devo contar!

Oh! ontem no baile com ela valsando
Senti as delícias dos anjos do céu!
Na dança ligeira qual silfo voando
Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!
      - Que noite e que baile! –Seu hálito virgem
      Queimava-me as faces no louco valsar,
      As falas sentidas que os olhos falavam
      Não quero, não posso, não devo contar!

Depois indolente firmou-se em meu braço,
Fugimos das salas, do mundo talvez!
Inda era mais bela rendida ao cansaço
Morrendo de amores em tal languidez!
      - Que noite e que festa! E que lânguido rosto
      Banhado ao reflexo do branco luar!
      A neve do colo e as ondas dos seios
      Não quero, não posso, não devo contar!

A noite é sublime! – Tem longos queixumes,
Mistérios profundos que eu mesmo não sei;
Do mar os gemidos, do prado os perfumes,
De amor me mataram, de amor suspirei!
      - Agora eu vos juro... Palavra! – não minto!
      Ouvi-a formosa também suspirar;
      Os doces suspiros que os ecos ouviram
      Não quero, não posso, não devo contar!

Então nesse instante nas águas do rio
Passava uma barca, e o bom remador
Cantava na flauta: - “Nas noites d’estio
O céu tem estrelas, o mar tem amor!”
      - E a voz maviosa do bom gondoleiro
      Repete cantando: -“viver é amar!” –
      Se os peitos respondem à voz do barqueiro...
      Não quero, não posso, não devo contar!

Tremendo de medo... a boca emudece
Mas sentem-se os pulos do meu coração!
Seu seio nevado de amor se intumesce...
E os lábios se tocam no ardor da paixão!
      - Depois... mas já vejo que vós, meus senhores,
      Com fina malícia quereis me enganar.
      Aqui faço ponto; - segredos de amores
      Não quero, não posso, não devo contar!

01. “Eu tenho uns amores – quem é que os não tinha/ Nos tempos antigos? – Amar não faz mal;”, os versos que iniciam o poema assumem um tom de
a) humor            b) ironia               c) confissão             d) culpa

02. O verso repetido no poema “Não quero, não posso, não devo contar!”, sugere, por parte do eu-lírico
a) discrição       b) deboche               c) arrogância        d) indiferença

03. De acordo com os versos do poema, a amada do eu-lírico
a) mantinha com ele uma relação platônica.
b) é uma jovem ingênua e tímida diante dele.
c) é alguém inacessível e indiferente a ele.
d) é alguém que permitia liberdades ao eu-lírico.

04. O espaço escolhido para uma maior intimidade entre a amada e o eu-lírico foi
a) o baile            b) a natureza             c) uma barca         d) sua casa

05. “Aqui faço ponto; - segredos de amores”, o amor a qual o eu-lírico se refere nesse verso é
a) o amor fraternal
b) o amor incondicional
c) o amor sensual
d) o amor juvenil

06. Uma característica Romântica que se destaca no poema é
a) ânsia pelos espaços do sonho e do ideal.
b) expressão de sentimentos pessimistas .
c) as saudades da pátria e da infância.
d) a natureza participando da relação amorosa.

Gabarito: 01. c 02. a 03. d 04. b 05. c 06. d

2 comentários:

  1. Ótimo blog, eu precisava mesmo desse texto. Parabéns Cris!

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  2. Nossa!obrigado Cris,me ajudou demais !!

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